Oi gente depois de muito tempo estou aqui com a nova análise de cartaz. Peço desculpas pois o trabalho me afastou um pouco mas estou de volta com o mais votado e mais 5 para a nova votação. São eles: Volver, Peixe Grande, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Gilda e Fim dos Tempos. Escolhi estes pelo seguinte: Volver, Deus e O Diabo foram os dois mais votados no geral até agora. Gilda o mais votados entre os cartazes antigos. Fim dos Tempos um cartaz de filme atual (gosto do cartaz mas o filme é péssimo se quisererem ler um artigo sobre este filme cliquem aqui) e Peixe Grande porque sempre vou colocar um cartaz novo. Além disso recebo sugestões é so me enviarem se cliquerem me mande um mail clicando aqui. Peixe Grande vou sugestão de algumas pessoas. A imagem destes cartazes para que possa ver e escolher esta no final deste post.
Edward Mãos de Tesoura foi o cartaz escolhido na última votação. Ganhou disparado com 44% dos votos contra 22% de Volver, 13% de Vertigo, 14% Deus e o Diabo na Terra do Sol e 4% Bye, Bye Brasil. Para que o cartaz seja melhor compreendido é necessário traçar um breve perfil do personagem Edward e sua história. Vale a pena também abordar um pouco a direção de arte do filme.
Edward — Johnny Depp — é uma espécie de robô que vinha sendo construído aos poucos pelo seu “pai”, um inventor dono de uma fábrica de biscoitos — Vincent Price. Mas, ele morre antes de terminar sua criação, deixando Edward sem as mãos. No lugar delas existem tesouras colocadas de modo provisório. A mansão onde ele mora é escura, fria, com cenário em tons de preto e cinzas. Mas Edward, que possui aparência fria, monocromática e de feições sérias, é singelo, sensível e carinhoso. O mundo fora de sua mansão é extremamente colorido, com pessoas sempre sorridentes e ativas porém insensíveis, preconceituosas e superficiais, com suas vidas andando sempre do mesmo modo equilibrado e monótono. Edward é encontrado nesta

É um cartaz leve, clean. Poucas cores, poucas imagens. Leitura fácil e objetiva com apenas 2 tipologias, bem parecidas, com uma forma que faz uma perfeita associação com o tema: tesouras, corte, navalha e ao mesmo tempo delicadeza. Repare no traço, desenho, forma das letras.
Também é um cartaz de contrastes de cores, formas e sentimentos. O cartaz mostra a relação entre os opostos. Assim como no filme.
Equiíbrio e relação entre opostos. Essa é a linguagem principal deste cartaz.
É um cartaz bastante simétrico em sua composição. Algumas pessoas podem achar que não por ter na sua esquerda muita imagem e na direita muito branco. Mas é isso que o torna simétrico. Os pesos, tanto da imagem como do branco, são iguais se dividirmos na vertical ou na horizontal. A quantidade de informações que temos na área superior é igual a que temos na inferior. Portanto temos simetria, equilibrio, que está relacionado a monotonia e estagnação. Mas é um equilíbrio falso, causado e simbolizado pela borboleta e seu posicionamento: nos dedos, tesouras, de Edward.

A borboleta esta na ponta de uma das tesouras. Temos a sensação de que o equilíbrio dela sobre a lâmina pode ser quebrado facilmente. Ela está na ponta e em amarelo, e é justamente a cor amarela de suas asas, que dá esta sensação de um possível desequilíbrio onde a qualquer momento pode fazer com que ela voe e saia de sua linha de visão.
O amarelo neste cartaz tem vários significados. Representa a luz — descoberta de um mundo novo e emoções novas — o nervosismo e inquietude que tomam conta de sua vida e o materialismo das pessoas, busca por dinheiro e riqueza. Para Edward a borboleta é essa luz, essa vida nova, mas que traz neste seu brilho que tanto admira — reparem em seu olhar fixo em suas asas — um poder que pode cegar, fazendo com que sua ingenuidade não deixe com que perceba todos os problemas em sua volta. Edward se fascina pelas cores novas — amarelo — deste mundo fora de sua mansão sempre preta, branca e cinza e, com isso, não percebe a verdadeira personalidade das pessoas que fazem parte desta sociedade.
As únicas cores além dos cinzas e preto estão na borboleta e em seu rosto. É como se a borboleta

• as asas da borboleta rajadas de preto são como os cortes em seu rosto
• a fragilidade da borboleta é a mesma de seu coração e de sua vida
• a borboleta também representa o modo como ele nasceu, se transformou aos poucos em “homem” como uma lagarta em seu casulo.
A liberdade que ele busca, representada pelas asas, pode ser destruída facilmente apenas pelos movimentos de seus dedos. Edward se deixa apaixonar pela borboleta mas sabe que pode machucá-la facilmente. Essa ligação entre Edward e a borboleta é a mesma da relação de amor que ele tem por Kim — Winona Ryder.

Ainda podemos ver mais sobre essa linguagem dos opostos, que se chama Patafísica.
O cartaz dividido em duas partes esquerda e direita, divide tudo, respectivamente:

Feio e o belo • grosso e delicado • força e fragilidade • imortalidade e mortalidade • estagnação e mudança • morte e vida • ódio e amor • a sociedade e Edward • Edward e a sociedade • fantasia e realidade.
Embora esta divisão seja visualmente clara, ela é sublinarmente distorcida, mutável e infinitamente baseada nos ciclos que nunca terminam, se encontram e se alteram de acordo com o olhar do espectador: Edward, a esquerda pode representar o ódio, o feio, o grosso, a fantasia mas ao mesmo tempo pode ser o oposto de tudo isso.
O que é a fantasia o que é real? O que é feio ou bonito?
Depende do olhar, do seu olhar, do olhar de Edward neste cartaz que é o foco visual principal desta composição.
Para terminar indico este filme para quem ainda não viu. É um ótimo filme, fábula, de Tim Burton em seu primeiro encontro com Johnny Depp. Para quem é da área do design então, é obrigatório: direção de arte impecável.
E vote no seu cartaz preferido para a próxima análise, abaixo uma miniatura de cada um, e na coluna ao lado bem no início esta a enquete... participe. Sugestão? me mande um mail.
